terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando Ele quer...

Oi crianças

Quero falar de um assunto diferente hoje.
Logo cedo, lí o blog da amiga Patty (aquela que já emagreceu um tantão e continua firme) sobre a perda do seu bebê.
Acho que já falei aqui como foi a gestação da Ana, mas nunca disse nada sobre meu filho Daniel.

Casei cedo, com 17 anos.
Paixão avassaladora, não queria perder tempo.
Mas nunca pensei em ter filhos.
Pelo contrário, eu abominava a idéia.
Sempre que me perguntavam: e o nenê?? eu respondia na hora - Deus me livre!
Não queria mesmo. Filhos era uma coisa totalmente fora de cogitação na minha vida.
Eu tinha muito medo do parto. Sempre achei que morreria.
E assim foi até os 22 anos.
Trabalhava no Hospital do Câncer e no meu departamento só tinha mulher. Mais de 15.
E todos os anos tinha uma grávida.
A amiga que reencontrei esses dias também trabalhava lá.
Quando ela engravidou do primeiro filho, fiquei muito feliz por ela e acompanhei a gestação até o fim. E ela ficava me enchendo, dizendo que a próxima seria eu.
E eu dizia: Deus me livre!
No dia em que ela foi parir, ao nos despedirmos ela disse: Quando eu voltar de licença vai ter um bebezinho aí dentro.
Não dei atenção. Mas alí ela estava plantando uma sementinha.
O filho dela nasceu e na visita ao menino, senti uma emoção muito forte e pela primeira vez na vida tive vontade de ter uma coisinha gostosa daquelas.
O menino era muito fofo e sei lá... deu vontade de ser mãe.
Claro que eu nunca admiti isso na frente da amiga, rsrs.
Naquele mesmo mês, em consulta com meu gineco da época, contei o desejo de engravidar.
Ele me disse pra parar com o anti e aguardar pelo menos 3 meses. Isso foi em julho de 1995.
Parei com o remédio e em agosto, calculei os dias férteis e de acordo com marido, "fabricamos" o Daniel.
Alguém aí lembra o que estava fazendo nas noites dos dias 16,17 e 18 de agosto de 95?? Noites frias... Alguém lembra?
Eu lembro, rsrs. Estava fazendo o Daniel.
E olha, posso afirmar que o dia mais provavel foi 17.
Em setembro, no dia 7, feriado, notei que a monstra que viria nos primeiros dias do mês, não veio.
Tive certeza que estava grávida!
Teste de farmácia, positivo.
Refiz exames de sangue no dia 14, meu aniversário e deu POSITIVÃO! Estava grávida.
Anunciamos a notícia pras famílias.
No dia seguinte, tive cólicas e um pequeno sangramento.
Entrei em pânico e lembrei na hora das palavras que eu dizia quando me perguntavam sobre filhos: Deus me livre.
Só podia ser castigo, eu pensava. E chorei, e me desesperei.
Eu já amava tanto aquela criança (e tinha absoluta certeza que era um menino)e não podia nem pensar em perdê-lo.
Fui pra emergência de um Hospital e lá fizeram vários exames, inclusive um ultrassom transvaginal. Tinha pouquíssimas semanas de gestação e no ultrassom não se via absolutamente nada.
O médico que fez, inclusive, foi categórico: não tem feto aqui dentro.
Imaginem meu desespero? Como não tinha nada lá dentro?
Me receitaram repouso absoluto, Dactil por algumas semanas e peguei licença.
Eu sabia que tinha alguém aqui dentro sim.
Chorei muito e pedi muito perdão pelas bobagens que eu dizia sobre ser mãe.
Sei lá, acho que alguém lá em cima ouviu e depois de 15 dias, refiz o ultra e desta vez, estava lá o meu menininho.
E da primeira vez que ouvi seu coração? Nossa, que puta emoção!
E quase no terceiro mês, um ultrassom me deu a certeza de que era mesmo o Daniel.
A médica disse assim: esse menino vai dar trabalho. Se mexe pra caramba.
Claro que eu não sentia ainda, mas quando ele começou a se mexer... não parou mais.
Todos os dias eu agradecia a Deus por conseguir levar a gravidez adiante e pedia muito pra que ele trouxesse meu filho saudável.
Na madrugada de 02 de maio de 1996, minha bolsa estourou e corremos pro Santa Joana.
Foi a noite mais longa da minha vida. Fiquei alí, no pré parto. Via as mães saindo, ouvia os bebês chorando e nada do Daniel querer sair...
Ao meio dia, o médico fez o último toque, e me perguntou se eu preferia cesárea, pq se fossemos aguardar mais o Dan entraria em sofrimento fetal.
Quis muito um parto normal, mas diante da situação, implorei pela cesárea, até porque lembrei do meu medo de morrer no parto.
Cesárea foi feita dia 02/05/96, às 12:15h. Tudo perfeito, nada de dor.
Dani nasceu lindo, chorando e desde esse dia, o amor só cresce.
Hoje, meu menininho tem mais de 1 metro e setenta de altura e me pega no colo.
Domingo eu o peguei no colo também e disse a ele que uma mãe sempre consegue carregar um filho, não importa o seu tamanho.
Me arrependo muito das bobagens que eu dizia.
Meus filhos são meus tesouros e agradeço todos os dias por serem essas pessoinhas lindas e especiais na minha vida.
Cada um do seu jeito.
Não sei como fiquei tanto tempo sem eles... Juro.

O que quis dizer aqui gente, é que muitas vezes na nossa vida, mesmo quando tudo parece perdido, sempre há uma saída.
Vejam o exemplo: o médico que não tinha visto o Dan no meu útero me disse assim:
Não se preocupe filha, o que tiver que ser, será.
Nunca esqueci dessas palavras e acredito sim, que quando Ele quer é a Sua vontade que prevalece.
Se fosse pra ser tudo bem, se meu filho viesse saudável, que minha gestação continuasse.
Se fosse pra ter qualquer problema, melhor que não.
E foi como Ele quis. Tudo deu certo.
E isso gente, vale pra tudo na vida.
Momentos felizes, agradeça a Deus. Momentos difíceis, agradeça também!

Beijos.

3 comentários:

Gisele disse...

Nossa até chorei!!!
Muito lindo sem palavras!

Lisa disse...

Emocionante... chorei viu... muito lindo seu post... e é isso mesmo... daqui a pouco é o meu que vai crescer e me pegar no colo... oh meu Deus... esse tempo não perdoa né?
Um beijão amiga e claro... nem preciso desejar um feliz dia das mães... pois sei que vc o teve.... ótima semaninha!!!

Lisa
www.escrevendoemagrecendo.zip.net

Marilia disse...

Concordo em gênero, número e grau.
Sou sua fã, cê sabe né!
beijos

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